PROSTATITES

Dr. Flávio Hering

Nos Estados Unidos de cada 1000 pacientes homens, 20 consultam o urologista devido a alguma forma de prostatite, e é estimado que aproximadamente 40 a 50% dos homens sofrerão de sintomas de prostatite em alguma época de suas vidas1.

Dentre os tipos atualmente conhecidos, denominam-se quatro entidades de acordo com DRACH e COL2 baseados no achado microscópico e bacteriológico do fluído prostático.

PROSTATITES BACTERIANAS: Nesse tipo, o diagnóstico não é difícil, pois é feito com o achado de bactérias patogênicas no fluído prostático. Na aguda atualmente a E.coli é o agente mais comum, e ao contrário da prostatite bacteriana crônica a aguda cursa com sintomas exuberantes (febre, mal estar, dor perineal, disúria, secreção uretral) e concomitante com infecção urinária. O tratamento sempre é feito com antibióticos e sintomáticos.

PROSTATITES NÃO BACTERIANAS: São as que representam um índice maior de pacientes e desafiam o urologista quanto ao diagnóstico e o tratamento. Classificam-se de acordo com a presença de células inflamatórias (leucócitos) na secreção prostática - PROSTATOSE, ou ausência destas - PROSTATODINIA.

Esses pacientes apresentam sintomas miccionais complexos do tipo irritativo e vários tipos de dor pélvica. KRIEGER e COL1, estudando 125 pacientes verificou que pacientes com esse tipo de prostatite referem mais dor perineal, supra-púbica, testicular, peniana e ejaculatória do que pacientes com HPB, e a dor retal não distingue pacientes com prostatite daqueles com HPB.

O diagnóstico laboratorial é difícil, porém MEARS & STAMEY3 desenvolveram para diagnóstico diferencial um método baseado na contagem de colônias e de células inflamatórias em urina colhida em 3 etapas: 1° jato urinário (VB1); jato médio (VB2); secreção prostática (EPS) e urina após massagem prostática (VB3).

Uretrite: n° de bactérias VB1>BV2, VB3 e EPS. Cistite: VB2>VB1, VB3 e EPS. Prostatite bacteriana: EPS e VB3>VB1 e VB2. Prostatite não bacteriana: n° leucócitos na secreção prostática aumentado - Prostatodinia: Sintomas com ausência de bactérias e n° de leucócitos normais. A ultrassonografia endoretal pode mostrar calcificações.

A etiologia da prostatite abacteriana é controversa, porém alguns fatores são implicados como a presença de agentes patogênicos virais ou bacterianos (clamidia ou micoplasmas), componentes auto-imunes e hormonais. Estudos mostram a relação do refluxo urinário para os ductos prostáticos e a prostatite não-bacteriana, através de alta concentração de creatinina e urato na secreção prostática e referem que o urato poderia provocar a resposta inflamatória química. Esses mesmos autores mostram que o alopurinol tem efeito positivo sobre esse tipo de prostatite5.

Como existem vários fatores implicados na fisiopatologia, o tratamento das prostatites abacterianas é muito empírico, porém alfa-bloqueadores, benzodiazepínicos, anticolinérgicos, anti-inflamatórios e psicoterapia tem sido utilizados, além de banho de assento. Alguns autores ainda recomndam a utilização de antibióticos específicos para clamidia e micoplasma e até alopurinol5

BIBLIOGRAFIA

  1. Krieger J N, Egan K J, Ross So, Jacobs R, Berger R: Chronic Pelvic Pains Represent The Most Prominent Urogenital Symptoms Of "Chronic Prostatitis". Urology 1996, 48: 715-22
  2. Drach G W, Mears Em Jr, Fair Wr Stamey Ta: Classification Of Benign Disease Associated With Prostatic Pain Prostatits Or Prostatodynia? J. Urol 1978, 120:266.
  3. Mears Em, Stamey Ta: Bacteriologic Localization Patterns In Bacterial Prostatitis And Urethitis. Invest Urol 1968, 5: 492-518.
  4. Person Be, Ronquest G: Evidence Form A Mechanistic Association Between Nonbacterial Prostatitis And Levels Of Urate And Creatinine In Expressed Prostatic Secretion. J Urol 1996, 155:958-60.
  5. Person B E, Ronquest G, Ekblom M: Ameoliorative Effect Of Allopurinol On Nonbacterial Prostatitis: A Parallel Doubl-Bind Controlled Study. J Urol 1996, 155:961-4


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Volume 1 - 3ª Edição, Julho-Setembro, /1997
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